Juiz acata pedidos e militares envolvidos na ‘Grampolândia’ serão ouvidos novamente

O juiz da 11ª Vara Militar de Cuiabá, Marcos Faleiros, acatou pedido de reinterrogatório do coronel da Polícia Militar, Evandro Alexandre Ferraz Lesco e do cabo Gerson Corrêa, no processo que apura um esquema de interceptações telefônicas ilegais operacionalizados durante a gestão de Pedro Taques (PSDB). Com a decisão, o julgamento da ação penal, que havia sido agendado para a penúltima semana de março, será realizado nos dias 14, 15 e 16 de agosto, às 13h30.

O magistrado agendou para os dias 16 e 17 de julho, a partir das 13h30, Fórum da Capital, a oitiva dos militares. Após os pedidos, o promotor Allan do Ó, que atua frente à Vara Militar  emitiu parecer favorável ao deferimento das novas oitivas.

Em suas considerações, o magistrado asseverou que adotou a medida considerando “possibilidade de durante a realização de novo interrogatório serem trazidos elementos que possam trazer benefícios aos acusados, a exemplo de atenuantes e até mesmo a possibilidade de reconhecimento de delação unilateral e possível concessão de perdão judicial”, disse em trecho de decisão o magistrado.

O Esquema:

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crimes.

Segundo a denúncia do MPE, foi Gerson quem fez à Justiça os pedidos de autorização para interceptação de números de telefones de políticos, advogados e jornalistas, grampeados no esquema.  A prática de gravação telefônica clandestina, de pessoas que não são acusadas de crime, é conhecida como “barriga de aluguel”.

Acusado de ser o operador do esquema, o cabo Gerson, também ficou encarcerado por nove meses. Em  um de seus depoimentos à Justiça, Gerson admitiu que atuou na inserção de números de telefones de pessoas que não eram alvos de investigações .

Segundo a denúncia, as interceptações clandestinas teriam ocorrido entre outubro de 2014 e agosto de 2015 e tiveram entre os alvos o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) José Ferreira Leite, a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), e o vereador Vinícius Hugueney (PP), que atualmente comanda a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Cuiabá.

Fonte: Olhar Direto

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