Prefeitura de Rondonópolis promove palestra em alusão ao Janeiro Branco

Diagnóstico, prevenção e tratamento das patologias da mente foram aspectos abordados no seminário sobre saúde mental que aconteceu nesta segunda-feira (21), pela manhã, no auditório da Prefeitura de Rondonópolis. Para abarcar a maior quantidade de pessoas, visando conscientizá-las sobre a importância de cuidar da mente, a mesma programação será oferecida na quarta-feira (23), das 7h30 às 11h, no Paço Municipal e está aberta tanto para os servidores públicos quanto para a população.

Criada por psicólogos em janeiro de 2014 com a finalidade de realçar a necessidade de cuidar da mente assim como se cuida dos outros órgãos do corpo, a Campanha Janeiro Branco escolheu o primeiro mês do ano para estimular nas pessoas hábitos que fortaleçam-nas psicológica, emocional e espiritualmente.

Integração social, relacionamentos saudáveis, conexão espiritual e realizações que tragam sentido à própria vida contribuem para prevenir doenças que podem atingir a mente e promover sua harmonia, de acordo o psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps ad), César Balduíno, palestrante do evento.

“Saúde mental é um conforto que vai além do físico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, ela preconiza um equilíbrio, sendo caracterizada pelo bem-estar emocional e social do indivíduo com o meio em que vive e, hoje, já se acredita que ela inclui, também, a plenitude espiritual. Assim, ela é um dos pilares da saúde integral”, define o psiquiatra e continua: “Para combater o crescimento das problemáticas da mente, em especial o suicídio, janeiro foi definido como o mês para se divulgar, debater e refletir sobre o assunto, com uma força tarefa envolvendo todos os profissionais da saúde mental nos diversos lugares do país”.

Entre os grupos de risco, as mulheres em geral são mais vulneráveis por vários motivos, como a questão hormonal, o cérebro multifuncional, e seu papel em uma sociedade ainda machista. Minorias e moradores de locais socialmente desfavorecidos, como favelas, por exemplo, também são mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças mentais, conforme César. O médico elenca, ainda, os distúrbios mais recorrentes: “Os transtornos de humor, afetivo bipolar, disfórico pré-menstrual são os mais comuns, seguidos de transtornos psicóticos como as esquizofrenias e, ainda, os transtornos por usos de substâncias psicoativas, incluindo álcool, nicotina e outras drogas. Há também os transtornos de personalidade histriônica – que é conhecido como personalidade neurótica – e o borderline – que é uma sinonímia mais recente na área de psiquiatria em que a pessoa fica em um oscilar entre a realidade e a loucura”.

Enfermeira e docente da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secitec) e funcionária da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec), Márcia Andreia Burghardt foi convidada pela amiga, a assistente social do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Rio Vermelho, Evanilda Pimenta, para assistir ao simpósio. Ela relata que, no seu cotidiano profissional, observa que o cidadão comum conhece muito pouco sobre saúde mental e suicídio: “Falta informação para que familiares e pessoas próximas a um suicida identifiquem os sinais que ele dá antes de cometer o ato”.

Segundo Márcia, há sintomas durante o processo de enfermidade mental que leva uma pessoa a tirar a própria vida. “Há um quadro depressivo em que o potencial suicida manifesta um comportamento próprio como tendência ao isolamento e um discurso característico com frases como ‘a vida não tem sentido’, ‘quero dormir e não acordar mais’ e ‘quero sumir’, por exemplo”, destaca.

Para a enfermeira, debates como o que ocorreu nesta manhã são importantes para que as pessoas consigam perceber quando alguém dá indícios de que está vivendo uma situação que possa desencadear um suicídio: “Ao conhecer os indícios que a pessoa que apresenta tendência ao suicídio dá, familiares e amigos podem intervir, levando-a a um psiquiatra e, então, evitando que ela chegue às vias de fato”.

Márcia assinala também que é preciso uma mudança de mentalidade sobre a busca de um apoio psiquiátrico para vencer problemas, já que, segundo ela, ainda existe um tabu e aqueles que precisam desse profissional, frequentemente têm receio de procurá-lo e serem estigmatizados. “É importante que os parentes superem o preconceito e, ao observar o quadro depressivo, levem seu familiar ao psiquiatra, que é um especialista em fisiopatologia mental, para fazer o tratamento. Afinal, procurá-lo e como buscar ajuda de qualquer outro médico e pode impedir o suicídio”.

Fonte:Assessoria

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