Seca e umidificação do ar

Nas proximidades do mês de junho tem início o período seco em grande parte do território brasileiro. Muitas questões relacionadas ao período voltam a ser notícia em todas as mídias e perturbam o sono do brasileiro da porção central do país. O importante fator que está relacionado a todas essas questões, comuns do período seco, é a umidade relativa (UR) do ar, que afeta tanto o conforto quanto a saúde humana.

Para minimizar os efeitos adversos da baixa UR à saúde e ao conforto, o nível de umidade do ar interno pode ser aumentado por umidificadores portáteis de ar, além de outras intervenções como a colocação de plantas, recipientes com água ou tecidos úmidos nos ambientes em utilização.

No entanto, apesar dessas intervenções serem muito utilizadas para umidificar o ambiente doméstico, os seus efeitos na evolução da umidade interna não são conhecidos. Esse foi o mote de um estudo realizado no Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso que examinou e comparou os desempenhos, sob condições de seca, de quatro sistemas de umidificação do ar: umidificador elétrico, bacia com água, toalha úmida e um sistema artesanal, feito com telhas cerâmicas para o estudo.

A comparação dos desempenhos dos sistemas foi realizada em função do ganho de umidade do ambiente com um sistema de umidificação em relação a um ambiente sem sistema de umidificação, o ambiente de controle. Além de comparar seus desempenhos, a pesquisa também buscou avaliar a capacidade dos sistemas em promover a umidificação do ambiente à umidade relativa de 60%, valor que, segundo estudos recentes, a maioria dos efeitos adversos à saúde, causados pela umidade, seria minimizada com a manutenção dos níveis internos neste patamar.

Os resultados do estudo mostraram que a umidificação promovida pela bacia com água não resulta na umidade de referência (60%) em condições ambientais de UR inferiores a 45%. Comparado ao desempenho de um umidificador elétrico, a umidificação alcançada com a utilização da bacia com água, mesmo com o auxílio de ventilação, se aproxima a 59% da umidificação proporcionada pelo umidificador elétrico.

A toalha umedecida, em todas as situações, promoveu a umidade de referência no ambiente e, comparando aos demais sistemas, apresentou o melhor tempo de resposta, de até 18 min, para atingir a umidade de referência. No entanto, o sistema foi incapaz, nas condições mais severas de seca, em manter o ganho de umidade inicial por um tempo superior a 4 h de uso.

Para aqueles que desconfiam de sua utilidade, o umidificador elétrico apresentou o melhor desempenho, ao proporcionar uma elevação da UR em até 28%, de forma continua e prolongada em todas as condições. No entanto deve se atentar para questões como o tempo de resposta, entre 1 h e 5 h para atingir a umidade de referência, e a elevada UR produzida após longos tempos de uso.

Neste sentido é recomendável que o uso do umidificador não ocorra durante a noite toda, ou quando a umidade do ar estiver acima de 60%. Para tanto, seria interessante o surgimento no mercado de produtos populares que possam ser configurados para a manutenção de um nível adequado da umidade ambiental.

O sistema cerâmico proporcionou uma umidificação de cerca de 92% da umidade fornecida pelo umidificador elétrico, com um tempo de resposta 25% maior. Utilizando o princípio do resfriamento evaporativo passivo, em condições de energia zero, esse sistema, ambientalmente sustentável e economicamente viável, pode, de fato, induzir a noites de sono tranquilas, mesmos nas condições do inverno do Brasil Central.

Os resultados completos do estudo serão publicados em breve na próxima edição da Revista do Ambiente Construído (Antac).

Marcelo Paes de Barros é doutor em Física Ambiental do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso

Fonte: Gazeta Digital

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