Não deixem museus virarem cinza

No último domingo (02), uma grande tragédia abalou a sociedade brasileira, o Museu Nacional, principal instituição museológica do Brasil, ardeu em chamas queimando uma das principais coleções do mundo. Precisamos refletir sobre essa tragédia.

O museu foi vítima da falta de investimentos governamentais em cultura, ciência e tecnologia. Essa não é a primeira tragédia do gênero, o Museu da Língua Portuguesa, o Instituto Butantã e outras importantes instituições também perderam acervos relevante em eventos similares.

No Museu Nacional estavam importantes coleções de história natural como, por exemplo, o crânio mais antigo das Américas. No local também estavam fósseis do famoso dinossauro Chapadense, o Pycnonemosaurus Nevesi, e mais de 20 milhões de peças. O patrimônio destruído pelas chamas resistiu a milhões de anos na natureza, mas não resistiu à negligência governamental e aos cortes de verbas.

Essa tragédia serve como um aviso de outras que ainda podem ocorrer caso a realidade não mude. Vou aqui falar um pouco do cenário atual das instituições museológicas de Mato Grosso. A grande maioria delas está passando por um total abandono devido à falta de repasses do governo do Estado. A situação é crítica e coloca em risco as coleções existentes nas instituições, assim como os casarões históricos que abrigam esses importantes patrimônios culturais.

Não serei injusto em dizer que o abandono das instituições museológicas é apenas culpa do governo do Estado. Os deputados estaduais, federais e os senadores parecem desconhecer essas instituições de cultura, ciência e pesquisa. Durante os últimos anos, nenhum centavo sequer foi destinado para os museus mato-grossenses. Por outro lado, tanto o governo do Estado como os parlamentares destinaram muitos milhões para outros tipos de eventos culturais.

Esse cenário é uma vergonha e merece sim ser denunciado. Será que nossa história não merece respeito? Devemos tomar uma atitude ou vamos esperar mais tragédias acontecerem? Investimentos em cultura são fundamentais para que as futuras gerações conheçam seu passado e entendam seu presente.

Caiubi Kuhn é geólogo, mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e docente do Instituto de Engenharia, Campus de Várzea Grande, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: caiubigeologia@hotmail.com

 

Fonte: Gazeta Digital

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