Internet e educação

Diante do mundo globalizado, onde impera a era da tecnologia virtual e a internet consome grande parte do nosso tempo, seja respondendo e-mail ou navegando em sites pelo mundo afora, como ficam os nossos livros impressos? Ainda existe espaço para eles neste contexto da “leitura virtual”? A partir das considerações do historiador francês Roger Chartier, vamos tecer algumas considerações acerca dessa nova realidade com a qual nos deparamos e, como educadores, refletir sobre esse processo.

No Brasil, em linhas gerais, o sistema de ensino afastou-se da literatura, ou seja, tem dado pouco valor aos livros clássicos brasileiros. Diferente de países da Europa, como França e Itália, onde os alunos das diferentes classes sociais têm acesso aos clássicos no seu processo de aprendizagem. Com essa ausência de literatura nos currículos escolares brasileiros, torna cada vez mais difícil despertar o gosto das crianças e dos jovens pela leitura. Essa função tem que ser também exercida pela escola, colocando o estudante em contato com o rico patrimônio literário nacional existente. Os textos literários são fundamentais para que o estudante pense a relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo.

Neste sentido, a internet pode ser uma grande aliada na medida em que permite ao leitor encontrar com mais facilidade os livros que procura, informações sobre determinados autores, entre outras possibilidades. É importante ressaltar que a internet mostra textos de maneira fragmentada, mas que podem seduzir as pessoas a leitura dos textos escritos. Cabe também a escola orientar o estudante no sentido de que um romance é uma obra que se lê lentamente, fazendo reflexões.

Compete a escola e aos meios de comunicação, esclarecer que numa produção intelectual é preciso valorizar os dois modos de leitura, o digital e o de papel. Nos dias atuais é imprescindível que se faça essa ponte. Também é emergencial, o estabelecimento de políticas públicas que busque a melhor forma de como utilizar de maneira correta a tecnologia digital em sala de aula.

Para Chartier, os textos eletrônicos por serem abertos, maleáveis e gratuitos estão crescendo vertiginosamente em termos de consulta, ultrapassando com isso a procura por livros impressos. Dessa forma, a discussão sobre o futuro dos livros passa necessariamente pela questão da maleabilidade e gratuidade.

Nos dias atuais temos um contexto marcado pela tela do computador e uma nova prática de leitura, muita mais rápida e fragmentada. Abre um mundo de possibilidade e ao mesmo tempo uma infinidade de desafios, principalmente aos alunos que precisam ler. É importante também levar em consideração a legitimidade das informações contidas em textos da internet, diferente dos livros, que exige um rigor maior até que se torne de domínio público. Diante do exposto, podemos considerar a tecnologia uma aliada da leitura de livros e não uma concorrente que irá acabar com o hábito de ler.

Elias Januário é educador, antropólogo e historiador, escreve às sextas-feiras em a gazeta. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

 

Fonte: Gazeta Digital

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