Silval contesta Taques e pede ao MPE para investigar licitação do Rodoanel de Cuiabá

Ex-governador entrega documentos em que mostra, em sua gestão, obra custaria R$ 354 mi, enquanto atual gestão prevê gastar R$ 498 milhões

O ex-governador Silval Barbosa (sem partido) chamou de “mentira deslavada” o lançamento da obra do Rodoanel que ligará o Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, com o Distrito Industrial de Cuiabá passando por regiões como o Sucuri, realizada na última quarta-feira pelo atual chefe do Executivo Estadual, Pedro Taques (PSDB). Em declaração exclusiva ao FOLHAMAX, após deixar a sede do Ministério Público, em Cuiabá, nesta quinta-feira, Barbosa afirmou que viu indícios de superfaturamento no projeto, que deverá custar R$ 498 milhões aos cofres públicos estaduais.

Chefe do poder executivo estadual até o final de 2014, Silval Barbosa lembrou a existência de um convênio firmado entre a Secretaria de Transportes e Pavimentação Urbana, atual Sinfra, com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no valor de R$ 354,3 milhões justamente para implementação da obra. Os recursos teriam sido depositados numa conta do Governo no início de 2013 com o apoio da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), mas permaneceu bloqueado até o fim da gestão Silval.

De acordo com o ex-governador, o dinheiro não foi utilizado por Taques por incapacidade aministrativa. “Em quatro anos, ele não fez nada e vem agora com uma mentira deslavada. Ele não conseguiu executar uma obra com projeto aprovado e dinheiro na conta. Em 2012, a [presidente cassada] Dilma e o Dnit firmaram um convênio com Setpu para liberação de R$ 354,3 milhões para execução dessas obras. No início de 2013 o Governo Federal fez o depósito e a gestão Taques não conseguiu fazer a obra”, disparou Silval Barbosa.

Segundo informações do próprio Governo do Estado, o “Novo Rodoanel” deverá custar R$ 498 milhões e representaria uma economia de 42% em relação a um suposto projeto apresentado na gestão Silval Barbosa e que tinha custo de R$ 858 milhões. O ex-governador, porém, disse que o projeto de R$ 858 milhões “não existe” e sim o convênio firmado entre o Poder Executivo Estadual e o Governo Federal no valor de R$ 354,3 milhões para execução de 53 quilômetros.

Para Silval Barbosa, o governador Pedro Taques pretende ainda superfaturar a obra em quase R$ 150 milhões, tendo em vista a diferença do valor de R$ 498 milhões, que pretende gastar a atual gestão do Poder Executivo Estadual, para R$ 354,3 milhões, recursos que Silval atestou que ficaram disponíveis para a construção da obra viária. Ele disse ainda que realizaria uma denúncia ao MPE sobre a suposta fraude. “Pedro Taques está superfaturando a obra em R$ 150 milhões. É uma mentira, como é o Pedro. Ele disse que deixei o Governo com apenas R$ 84 mil em caixa, mas somente numa das contas do Governo deixei R$ 610 milhões quando saí da gestão. Vou fazer uma denúncia ao Ministério Público”, advertiu Silval Barbosa, mostrando documentos do convênio assinado para execução do Rodoanel.

O ex-governador chegou a ser preso em setembro de 2015 durante a deflagração da operação “Sodoma”, que apura um esquema de desvios de recursos, lavagem de dinheiro e recebimento de propinas pela cúpula de sua gestão em troca da concessão de incentivos fiscais. Silval Barbosa já acumula 27 anos de prisão pela condenação das duas primeiras fases da operação (Sodoma 1 e 2), mas cumpre prisão domiciliar em razão do acordo de colaboração premiada que fez com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Pedro Taques é candidato a reeleição em 2018.  De acordo com o termo de compromisso firmado entre a gestão Silval Barbosa e o Governo Federal, as obras do Rodoanel estavam incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e após a transferência dos recurso tinha prazo de 912 dias corridos para ser entregue.

Fonte: Folha Max

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