Campos revela que aconselhou Taques levar inquérito dos grampos ao STJ

Júlio conta que governador temia impacto devastador se investigações fossem mantidas com Perri

O ex-governador Júlio Campos (DEM) revelou que o governador Pedro Taques (PSDB), preocupado com o processo dos grampos telfônicos ilegais, pediu conselho para ele e seu irmão, o ex-senador Jayme Campos (DEM). Na ocasião, os irmãos orientaram o tucano a buscar uma “fórmula jurídica” que levasse o inquérito para o Supremo Tribunal Federal (STJ), em Brasília.

A declaração do democrata ocorreu em entrevista a Rádio Vila Real FM (93,3) há cerca de duas semanas. Júlio falou que, em conversa após o escândalo estourar em maio de 2017, Taques confidenciou que “temia” pelo resultado das investigações, que estavam nas mãos desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri.

O ex-governador explica que, durante toda a gestão de Taques, ele e Jayme nunca foram chamados por Taques para nenhuma conversa e muito menos conselho. Porém, quando estourou o esquema dos grampos em maio de 2017, eles foram procurados. “Só chamou quando teve aquele negócio da Grampolândia com aquele escândalo todo. Aí ele ficou com medo de ser cassado e neste dia ele convocou eu e o Jayme para uma reunião no Palácio para pedir conselho: o que vocês acham? o que eu faço?”, dispara.

Campos ressalta que naquela hora surgiu a “fórmula” de buscar uma forma de encaminhar o processo ao STJ por saber da morosidade que funciona o Judiciário nacional. “Aí veio a formula de levar o processo para Brasília, porque em Brasília você sabe que todo processo que vai pra lá, é delongas”, disse.

A “fórmula” adotada foi o próprio governador pedir para ser investigado na Corte Superior, por conta do foro por prerrogativa de função. Em outubro do ano passado, o ministro Mauro Campbell avocou todas as investigações sobre o caso. Na ocasião, o ministro mandou soltar todos os investigados que estavam presos, entre eles, os ex-secretários Paulo Taques, Rogers Jarbas e Airton Siqueira Junior.

Júlio Campos também pontua que o processo que estava nas mãos de Perri, foi retirado “as pressas” pelo presidente do Tribunal Justiça, desembargador Rui Ramos Ribeiro, que mandou o caso para o STJ. “Se tivesse ficado aqui, nas mãos do Perri como estava em questão de minutos teria andado. O Perri pediu até as 15 horas para o desembargador Rui, mas meio dia o desembargador tomou o processo dele e mandou para Brasília”, citou.

Hoje, o processo encontra-se paralisado no STJ. O caso tramita em segredo.

 

Fonte: Folha Max

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