Ex-secretário acusa MPE de crimes e revela “briga” com promotor num condomínio em Cuiabá

Éder Moraes acumula mais de 100 anos em condenações na Ararath

O ex-secretário de Estado de Fazenda (Sefaz), Eder Moraes, detonou o Ministério Público Estadual (MPE) e Federal (MPF), em entrevista ao site “O Bom da Notícia”. Entre diversas acusações, ele aponta inclusive um pedido de prisão feito pelo MPE contra o seu filho e sua esposa, no âmbito da “Operação Bereré”, que foram negados pelo desembargador José Zuquim Nogueira.

Eder apontou que seu filho e sua esposa, que aparecem como sócios de um posto de combustível, foram acusados pelo MPE de terem participado do esquema que teria desviado cerca de R$ 30 milhões do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). O ex-secretário explicou que o posto foi adquirido praticamente um mês após o último fato narrado pelo órgão ministerial na investigação. “O MPE cometeu um dos erros mais imbecis que se pode cometer, que foi pedir a prisão do meu filho, menor de idade, e da minha esposa, porque compramos a empresa HM Comércio de Combustível, um mês depois do último fato da Operação Bereré. Eles não tiveram o cuidado de ir na Junta Comercial e olhar a data da entrada dos sócios. Simplesmente pediram a prisão dos dois. E se o desembargador José Zuquim fosse um homem irresponsável? Graças a Deus caiu na mão de um desembargador maduro e inteligente, que viu que a coisa estava muito ampla. Eu tinha três postos de combustível, mas enquanto eu exerço função pública, não posso administrar, nem ter propriedade, então é natural que eu faça isso em nome dos meus familiares. Quantos não fazem isso. O MPE terá que provar porque pediu a prisão dos dois”, acusou.

O ex-secretário também criticou a postura do promotor Marcos Bulhões, coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que segundo Eder, teria feito vídeos cantando e dirigindo no dia da Operação Bereré e divulgado em redes sociais. “Para mim, procurador que sai de casa, tomando café da manhã, ouvindo música no carro, filmando e dirigindo, para mandar no Whatsapp, antes da operação, é alguém que tem algum problema mental. O Marcos Bulhões, que é o chefe do Gaeco, dentro do Florais, e postou isso, no dia da operação, como se fosse uma alegria arrebentar com a vida de inocentes. Para mim foi uma coisa proposital, feita para prejudicar a minha imagem e da minha família. O MP costuma te tratar como a pior raça que existe no mundo. Algo no país precisa ser feito. Respondo todos os processos e cumpro todas as condenações, mas não aceito a pecha de que desviei dinheiro público ou que sou corrupto. Vou provar isso”, apontou.

A metralhadora de Eder Moraes contra o MPE continuou ligada durante a entrevista. Ele acusou o órgão de cometer vários crimes e sugeriu uma investigação sobre a construção da sede do órgão ministerial, em Cuiabá.

CARTAS E BRIGA NO FLORAIS

Ele também relembrou a denúncia feita por ele relativa as cartas de crédito emitidas pelo Ministério Público para promotores e procuradores no valor de cerca de R$ 10 milhões e compensadas com a Rede/Cemat na gestão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido). “Eu conheço o Ministério Público de Mato Grosso e fui o autor da denúncia das cartas de crédito. A história que eles contam é uma, mas a verdade é outra. A origem delas é podre, baseada em anotações feitas a lápis. É não só improbidade, como lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, emissão irregular de moeda, corrupção passiva e ativa. Tem que ser investigada a construção da sede do MPE. Por que ninguém nunca mexeu com isso? Qual o receio de mexer com isso. As denúncias pipocam de todos os lados, em relação a construção daquele prédio. De notas fiscais rasuradas. Mas tem que ter peito e coragem, para saber que amanhã ou depois vão fazer qualquer tipo de situação para tirar o crédito da acusação. Quando acusei o MP, não tinha nenhuma condenação em nada. Hoje falam que sou um condenado de 100 anos, mas só veio isso depois que fiz as denúncias”, destaca.

Eder Moraes também citou o caso recente em que ele e o promotor Clóvis Almeida tiveram uma discussão por conta do filho do ex-secretário, que segundo ele, resultou até em ameaça de morte dentro de um condomínio de luxo. Tempos depois, segundo Eder, o promotor assinou uma ação de improbidade administrativa contra ele. “Tive uma discussão com o promotor Clóvis Almeida que rendeu até ameaça de morte. Tudo isso está registrado em boletim de ocorrência. Ele teve uma discussão com um filho meu, menor de idade, e eu sai um pouco das estribeiras. Aí, uma pessoa que você registra uma reclamação contra ele, no Ministério Público, um BO contra ele, que você tem uma briga policial contra ele, essa pessoa pode assinar uma ação de improbidade contra você? Ele é suspeito para isso. Faço questão. Quando erram comigo, vou até as últimas consequências. Eles não perdoam ninguém. O couro come. Então vai comer daqui para lá também”, completou.

Fonte: folhaMax

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